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A realidade por trás da tendência das torres de pedras no Instagram: Por que esse hobby aparentemente inofensivo prejudica a natureza?

Você está rolando o Instagram ou o TikTok e se depara com uma foto mágica: torres de pedras empilhadas perfeitamente equilibradas à beira de um riacho de montanha, correndo velozmente sob a luz do pôr do sol. É estético, relaxante, um pouco espiritual e extremamente 'fotogênico'. Não é de se admirar que cada vez mais excursionistas sintam vontade de construir uma e registrar o momento. A construção de torres de pedras em margens de rios e florestas tornou-se uma tendência global no Instagram. No entanto, há um grande problema: embora fiquem bem nas fotos, na realidade causam sérios danos ecológicos. Por que esse hobby aparentemente inofensivo representa uma ameaça à natureza e por que os parques nacionais ao redor do mundo pedem que paremos?

1. Destruição de habitats e colapso de microecossistemas

Quando você levanta pedras que estão na margem do rio ou ao longo de uma trilha na floresta, não está apenas pegando material de construção. Na verdade, você está removendo o topo de um ecossistema microscópico e complexo.

Debaixo e entre as pedras vivem pequenos artrópodes, insetos, vermes e moluscos que formam a base da cadeia alimentar. Sob muitas pedras à beira do rio, répteis protegidos (como lagartos), anfíbios (salamandras, tritões) ou espécies raras de crustáceos encontram abrigo contra predadores e o sol escaldante, além de depositarem seus ovos ali. Ao mover as pedras, você literalmente destrói seus lares, deixando-os vulneráveis à desidratação e a outros perigos.

2. Aceleração da erosão do solo

Na natureza, tudo tem sua função específica. As pedras e cascalhos das margens dos rios não estão ali por acaso: sua posição foi moldada pela correnteza e pelo tempo. Essas pedras oferecem proteção mecânica às margens, desaceleram a força destrutiva da água e ajudam a reter partículas mais finas do solo.

Se você remove as pedras do solo e as empilha em torres, o solo fica desprotegido. As chuvas e as cheias dos rios podem erodir as margens com muito mais facilidade, acelerando a erosão, expondo as raízes da vegetação e alterando a dinâmica natural do leito do rio.

3. Poluição visual e o princípio Leave No Trace

Uma das regras mais importantes do turismo sustentável é o Leave No Trace (Não deixe rastros). Isso significa que devemos aproveitar a natureza de forma que nossa presença não deixe nenhum vestígio visível após partirmos.

As torres de pedras – embora feitas de materiais naturais – são sinais claros da intervenção humana. Quando você chega a uma paisagem selvagem e intocada, quer ver a verdadeira face da natureza, como era antes da presença humana, e não os 'monumentos' deixados por outras pessoas. Além disso, em muitas regiões montanhosas, pilhas de pedras (cairns) são usadas para sinalizar trilhas em condições de neblina ou baixa visibilidade. Torres de pedras construídas por moda podem confundir os caminhantes, criando situações perigosas.

O que você pode fazer em vez disso? 💚

Um viajante consciente não transforma a natureza para atender aos seus próprios caprichos (ou para ganhar curtidas), mas a respeita.

  • Fotografe paisagens intocadas! Uma margem de rio ou trecho de floresta sem marcas de intervenção humana tem muito mais valor e conta uma história mais profunda nas suas fotos.

  • Deixe as pedras para a natureza! Se você encontrar uma pedra bonita e de formato especial, admire-a, tire uma foto de perto, mas não a remova do lugar.

  • Se vir uma torre de pedras, derrube-a com cuidado! Muitos guardas de parques nacionais pedem especificamente aos visitantes que, ao encontrarem pilhas de pedras feitas por humanos, as desfaçam cuidadosamente e espalhem as pedras, para que a natureza possa recuperar seu espaço (claro, apenas se for evidente que não se trata de uma sinalização oficial de trilha).

Lembre-se: a melhor lembrança é a foto, e o maior elogio é deixar a paisagem exatamente tão intocada quanto você a encontrou. 🌲✨

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