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Ponte das Correntes

A Ponte Széchenyi das Correntes, em Budapeste, não é apenas um símbolo icónico da capital, mas também um eterno monumento à modernização húngara e à união.

Uma visão que uniu a nação

No início do século XIX, Buda e Peste ainda eram duas cidades separadas, divididas no inverno pelo Danúbio congelado e na primavera pelas suas águas turbulentas. O conde István Széchenyi decidiu construir uma ponte permanente em dezembro de 1820, quando teve de esperar uma semana inteira para atravessar o rio devido às cheias e ao gelo, a fim de comparecer ao funeral de seu pai. Essa tragédia pessoal deu início a um dos maiores empreendimentos da era das reformas. A ponte, projetada por William Tierney Clark e construída por Adam Clark, foi inaugurada em 1849 e não apenas uniu fisicamente as duas partes da cidade, mas também se tornou um símbolo de igualdade no pagamento de impostos, já que tanto os nobres quanto os cidadãos comuns tinham de pagar pedágio para atravessá-la.

A Lánchíd a 19. században, egykori metszeten
A Ponte das Correntes no século XIX, em uma gravura antiga - Foto: bedo.hu

Lendas e o mistério dos leões sem língua

Lánchíd
Ponte das Correntes - Foto: Kedves Csongor

A Ponte das Correntes está envolta em várias lendas urbanas, sendo a mais famosa relacionada aos leões de pedra de János Marschalkó. Segundo a história, o escultor teria esquecido de esculpir as línguas dos leões, e quando um aprendiz de sapateiro apontou isso durante a cerimônia de inauguração, o artista, envergonhado, teria se jogado no Danúbio. Na realidade, Marschalkó realizou um trabalho anatomicamente preciso: as línguas dos leões repousam no fundo da boca, atrás dos dentes, como acontece com grandes felinos em repouso na natureza. Como as esculturas estão em pedestais altos, o ângulo de visão das pessoas na rua faz com que os dentes de pedra escondam as línguas. O artista viveu até uma idade avançada, e a ponte sobreviveu às tempestades mais severas da história; embora tenha sido destruída pelas tropas alemãs em retirada durante a Segunda Guerra Mundial, foi reconstruída em 1949, no centenário de sua construção, graças à união da nação.

A Lánchíd a 20. század elején
A Ponte das Correntes no início do século XX - Foto: cartão-postal antigo

Uma viragem verde sobre o Danúbio

A mais recente reconstrução abrangente da Ponte das Correntes não se focou apenas na preservação dos valores arquitetónicos, mas também na criação de um transporte urbano sustentável e preparado para o futuro. Durante a renovação, a ponte recebeu iluminação LED moderna e eficiente em termos de energia, reduzindo significativamente a poluição luminosa e o consumo de energia da capital. Contudo, a maior medida de sustentabilidade foi a reestruturação do tráfego: desde a reabertura, a ponte está livre de trânsito de veículos particulares, sendo utilizada exclusivamente por autocarros de transporte público, táxis, ciclistas e pedestres. Esta medida reduziu drasticamente as emissões de poluentes e a poluição sonora no centro da cidade.

A experiência do viajante responsável

Hoje, a Ponte das Correntes é o destino perfeito para o turismo lento e baseado em experiências. Os visitantes podem atravessar entre Buda e Peste num ambiente limpo e sem carros, enquanto desfrutam de uma vista deslumbrante para o Bairro do Castelo e o Parlamento. Para os viajantes sustentáveis, a ponte não é apenas um ponto de passagem, mas também um exemplo emblemático de mobilidade urbana consciente, onde o património histórico e o futuro verde se encontram em harmonia.

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